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Alunos do segundo ano da licenciatura de Higiene Oral na Escola Superior de Saúde de Portalegre estão a fazer o rastreio dentário dos utentes do Centro de Portalegre da Fundação Renal Portuguesa. No âmbito do protocolo estabelecido entre as duas instituições, quatro alunos do estabelecimento educativo, acompanhados por uma professora, procuram fazer uma radiografia do estado dos dentes desta comunidade específica.

A primeira sessão decorreu no turno da manhã de hoje e a experiência está a ser positiva. Segundo Ângela Couto, a professora que acompanha os alunos neste mini-estágio, esta iniciativa visa saber qual o estado da dentição dos IRC e identificar as principais patologias associadas à doença renal crónica.

“No âmbito da disciplina de Higiene Oral, Escolar e Comunitária, os alunos de segundo ano fazem várias visitas à comunidade. Já fomos a escolas, à Misericórdia e agora estamos a fazer este trabalho com Insuficientes Renais Crónicos. O objectivo é lidar com diferentes pessoas. Neste caso, com doentes que apresentam diferentes patologias. Começamos por fazer uma observação e um questionário sobre saúde”, explica a professora.

O trabalho está numa fase inicial, mas a equipa já consegue traçar um perfil relacionado com os doentes renais crónicos. É uma população que sofre de alguma halitose, ou seja, o vulgar mau hálito, entre outras patologias. É com base nos dados recolhidos que a equipa vai, posteriormente, deixar algumas indicações para promover a mudança de hábitos e a consequente melhoria dos dentes do IRC.

Neste programa participam quatro alunos: Patrícia Ricardo, Andreia Arriaga, Bruno Pernão e Justine Sinkeviciute, uma estudante da Lituânia que está em Portalegre a fazer o programa ERASMUS. Para o grupo de estudantes, esta experiência é bastante positiva. “É a primeira vez que contactamos com doentes renais. É uma comunidade a que não estamos habituados”, conta Andreia Arriaga. Bruno Pernão confessa que no início “foi um choque” mas que “está a ser muito enriquecedor”, afirmou o jovem aluno.

Também para Justine Sinkeviciute esta era uma realidade desconhecida na prática. “Só sabia o que tinha lido nos livros”. Aliás, a aluna que vem da Lituânia tem a oportunidade não só de aprender mais com os doentes renais crónicos como com uma população mais idosa, porque no seu país de origem, o trabalho desenvolvido centra-se junto dos mais jovens.