José Manuel Guillade

Foi em 2010 que, pela primeira vez, como Presidente da Fundação Renal Portuguesa (FRP), tornei públicos os “Objectivos FRP” neste espaço. Pretendi tão só chamar a atenção para a enorme dependência que se encontrava, e acredito que ainda continua, mesmo que já um pouco mitigada, o tratamento do Insuficiente Renal Crónico. Tanto a Administração Pública, como os próprios Insuficientes, e ainda os Médicos requeriam, no nosso entender, a necessidade do “nascimento” de uma Instituição como a FRP.

Não fomos, certamente por incapacidade de comunicação nossa, capazes de passar a mensagem correta, e expor, com clareza e transparência, as virtudes do projecto. No entanto, é com enorme prazer que constatamos que, pouco a pouco, se começa a entender que o projecto da Fundação não pretende afrontar ninguém!

Passados seis anos, e depois do primeiro Centro da Instituição estar em pleno funcionamento em Portalegre desde 2011, recebemos a visita de todas as entidades com competência na avaliação do funcionamento dos estabelecimentos:

  •           ERS – Entidade Reguladora da Saúde;
  •           INFARMED – Instituto da Farmácia e do Medicamento;
  •           IGAS- Inspeção Geral de Actividades em Saúde;

A todas as entidades estamos particularmente gratos. Não só avaliaram, livremente, as condições de trabalho, os modos de trabalho, a forma de cuidar dos Insuficientes Renais Crónicos do SNS aos cuidados da FRP, bem como os objectivos da FRP, o “ Cuidado Integrado do IRC, com Humanidade e Dignidade”!

As conclusões foram unânimes – o Centro de Portalegre da FRP reúne todas as condições para o bom cuidado dos IRC que recebem o seu tratamento nele. Permitam-me a imodéstia. Tal conclusão não surpreende…

Durante este período de consolidação da Instituição, iniciámos a Obra Social da FRP, ainda que localmente, com protocolos com a Escola Superior de Saúde Portalegre (ESSP) ao nível dos cursos de enfermagem – aulas práticas de técnicas dialíticas e estágios teórico-práticos de hemodiálise – e de higiene oral.

Desde que iniciou a sua actividade, a FRP tem promovido inúmeras iniciativas no âmbito da Obra Social. O objectivo é claro. Queremos minimizar alguns dos problemas pelos quais os utentes passam, mas também aproximar a instituição da comunidade que a rodeia. É por isso que, actualmente, a Fundação tem parcerias com a Escola Superior de Saúde de Portalegre, com o IEFP, com o Banco Alimentar contra a Fome, e procurar suprir necessidades dos utentes, muito para além dos seus próprios deveres.

Ao longo deste tempo, temos conquistado o respeito, a admiração e a confiança de outros actores do sistema. É o caso do Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, com quem a FRP estabeleceu uma colaboração recente. Desde aí, a equipa médica passou a fazer um acompanhamento regular e frequente dos utentes no Centro de Portalegre.

Continuamos empenhados em prosseguir com o compromisso assumido com o Estado português e com os Insuficientes renais, dando cabal cumprimento ao Protocolo assinado com o Ministério da Saúde e corpo e forma a uma verdadeira “Rede Alternativa” portuguesa de Centros para o Tratamento Integral do Insuficiente Renal” para o que contamos com todos os que, como nós, sentimos a asfixia que fomos / estamos submetidos.

Oeiras, 8 de Abril de 2016