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De acordo com os objectivos da Fundação Renal Portuguesa, a qual visa o bem-estar dos seus pacientes no seu todo, tanto físico como psíquico, proporcionando os melhores tratamentos clínicos, evidenciou-se a necessidade de incluir a Psicologia como uma das áreas particularmente importantes na Equipa Multidisciplinar do Centro de Diálise de Portalegre.

Assim sendo, um dos principais objectivos a desenvolver será a sensibilização para a humanização do espaço que deve ser alcançado junto dos pacientes e dos restantes profissionais de saúde, para que ocorra um maior investimento nas relações humanas. Um outro objectivo prende-se com a necessidade em promover a qualidade de vida em cada Doente Renal Crónico, vendo-o como um ser único, visando atingir não somente o período de tempo em que o DRC se encontra em tratamento na Clínica, como também no decorrer do seu quotidiano. Tentando desta forma minimizar o sofrimento resultante do mau estar físico e toda a fragilidade e debilitação emocional inerentes à sua condição.

Do ponto de vista psicológico, as doenças crónicas produzem uma série de conflitos emocionais, com sentimentos de medo, insegurança, raiva, culpa, situações que causam ansiedade, angústias, as quais vão desencadear no DRC uma diversidade de mecanismos de defesa, dos mais frequentemente observados em pacientes em diálise, destacam-se a negação, a regressão e a intelectualização, despoletando consequentemente uma diminuição da auto-estima e um comportamento de resistência ao tratamento.

Todavia, torna-se pertinente referir que ao contrário do comummente evidenciado nos pacientes quando diagnosticada Insuficiência Renal Crónica, a qual não revela uma expectativa de cura, nem um retorno ao estado de saúde, mas sim uma irreversibilidade para a doença, terá assim que ser elaborado um processo de consciencialização para a possibilidade de continuidade do projecto de vida, com diversas condicionantes é certo, mas com imensas alternativas e objectivos passíveis e exequíveis desde que exista predisposição e força de vontade para resgatar ou apenas efectuar a manutenção da qualidade de vida de cada DRC.

Com base no exposto, e na dúvida de saber o que provoca mais dor, se a doença ou o tratamento, a intervenção psicológica justifica-se e aconselha-se, tendo por princípio o amenizar da dor causada pelo tratamento, produzindo no paciente sentimentos de conforto, compreensão, aceitação e assistência como um todo, podendo suportar a sua doença tanto no aspecto fisiológico como emocional.

(2009)
Drª Anabela Galvão
ana.galvao@frp.org.pt